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 Editor de Conteúdo

Por Dr. Wanderley Marques Bernardo 

Sinistralidade é um indicador considerado importante na gestão da assistência à saúde, expressando a relação entre o sinistro (custos da assistência) e o prêmio (receitas da assistência), e expresso em porcentagem, devendo estar entre 70% e 75%. 

Partindo da premissa de que a receita é uma variável fixa, pode-se considerar que sinistralidade e sinistro são variáveis proporcionalmente e diretamente dependentes, e sendo assim, para entendermos os motivos de sua gênese, precisamos fazer o diagnóstico dos motivos da ocorrência do sinistro. 

É fundamental esclarecer que, ao restringirmos a definição de sinistro à uma medida contábil, excluimos da equação o paciente, e perdemos a oportunidade de definir sinistro como “evento clínico”, o que retorna o paciente para o foco do diagnóstico. 

​​A questão diagnóstica é: Quais as causas da elevação do número de eventos (sinistros) relacionadas aos pacientes? E relacionadas às intervenções ou procedimentos? E relacionadas aos desfechos ou resultados? 

​Pacientes de risco elevado, ou com educação em saúde deficiente, ou cercados por ambiente que estimula o cultivo da doença, são exemplos de causa da frequência de eventos que geram a necessidade de assistência. O marketing dos produtos e tecnologias, o estímulo à futilidade em saúde, as inovações, o desconhecimento dos reais benefícios e danos das intervenções, a falta de oferta do básico e necessário, e a judicialização do caos, são causas relacionadas aos procedimentos. E por fim, no diagnóstico dos fatores relacionados aos desfechos, a assistência imprópria do sistema ao produzir maus resultados gera outros eventos, agravando e perpetuando o ciclo de sinistros. 

Claramente, cada item diagnosticado permite o tratamento. Assim, em relação aos pacientes: na redução do risco, investir em prevenção e atenção primária; para melhorar a educação, investir em programas de informação e de relacionamento populacional; e também na redução do cultivo da doença, travestido de “check-up”, investir em programas de promoção da saúde, procurando mudar hábitos e cultura. 

São soluções para o aumento indevido dos eventos, relacionado às intervenções: o contra-marketing, o desestímulo à futilidade, a valorização de padrões básicos e necessários assistenciais, através dos quais as regras do mercado podem ser estabelecidas na equidade e justiça social, e a educação dos profissionais de saúde. Entretanto, para viabilizar essas soluções, é necessário que o sistema de saúde adquira autoridade científica, por meio do estímulo a programas de educação em prática clínica baseada em evidência, como também no estreitamento de sua relação com as entidades científicas. 

Finalmente, quanto aos desfechos ou maus resultados, que retro alimentam o ciclo de novos eventos, a solução é diretamente dependente da atenção às causas relacionadas aos pacientes e intervenções, determinando naturalmente uma assistência apropriada, todo o tempo e para todos. 

Então, organizando a agenda do sistema, através das soluções acima: 

1º) Definir os problemas (eventos) prioritários; 

2º) Conhecer a prevalência, as condutas e os resultados atuais; 

3º) Organizar o problema na forma de pergunta estruturada (P.I.C.O.); 

4º) Selecionar as respostas baseadas em evidência, quantificando o número de pacientes necessários para se tratar e obter um benefício (NNT), e para se produzir um dano (NNH); 

5º) Aplicar a evidência selecionada na prática, monitorando os resultados; 

6º) Definir as estratégias tendo por base as prioridades, a prevalência, a força da evidência, o tamanho do benefício e do risco, e a efetividade; 

7º) Agregar os custos à efetividade, calculando agora um indicador de qualidade: a evidência da sinistralidade. 

Em um cenário de eventos (sinistros) em progressão geométrica, prevenir, promover e padronizar na atenção à saúde são os verbos da gestão.​