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 Editor de Conteúdo

Por Wanderley Marques Bernardo

Qual o impacto na atenção à saúde, do uso consciente, explícito e crítico da melhor evidência, associado à experiência clínica e às preferências do paciente? A simples filiação teórica a conceitos pode produzir mudanças na educação, na assistência, na pesquisa e na gestão em saúde? Não é a efetiva implementação (o “uso”) da ideia que leva à criação de novos paradigmas, os quais geram expectativas, quebram barreiras, são testados, e depois consolidam as mudanças? 

Pensando nesse impacto, o primeiro elemento a sofrer modificações é a educação médica, que por meio de uma nova forma de ensino, fornece habilidades fundamentais para a prática médica, como: considerar de maneira crítica a evidência científica; estimular a reflexão e a atualização; consolidar o método de elaboração de diretrizes clínicas; aumentar a compreensão sobre a incerteza da evidência, e sobre o binômio “pesquisa e prática”; entender os diferentes níveis de força da evidência, a partir do conceito “causa e efeito”; e antecipar os resultados da pesquisa, minimizando o “efeito surpresa” acrítico da mídia. Entre essas habilidades adquiridas estão: a dúvida clínica; a busca e crítica da evidência; a extração e análise dos resultados da pesquisa clínica; a utilização na tomada de decisão; e principalmente, a comunicação ao paciente, em linguagem compreensível, de seus riscos e prováveis benefícios. 

O efeito secundário à educação é a incessante procura da atenção baseada na indicação, que induz a profundas mudanças nas estratégias assistenciais: centrada na equidade, nas minorias, no indivíduo com seus riscos e expectativas, e na apropriada relação médico paciente. 

​A gestão dentro de uma política de saúde baseada em evidência é sustentada, consequentemente, em padrões homogêneos de qualidade, com otimização dos recursos disponíveis, e a incorporação da modernidade com discernimento, evitando o marketing acrítico baseado no uso excessivo de recursos, e a economia hipercrítica baseada em estratégias massivas, descentradas do paciente. O impacto pode ser dividido, então, em três grandes áreas da ação em saúde baseada em evidência: na auditoria, definindo padrões de desempenho, estabelecendo procedimentos para a performance inconsistente, e avaliando as medidas implementadas; na prática médica, identificando anomalias de performance, obtendo a adesão e o feedback de pacientes e médicos, e produzindo mudanças nos desfechos clínicos; na política de saúde, elaborando padrões de cobertura, determinando prioridades centradas nos pacientes, e otimizando os indicadores de qualidade e de processo, bem como a dispensação de recursos. 

Ao se estabelecer uma linguagem comum, pela qual paciente, médico e sistema poderão compartilhar suas visões, os melhores resultados serão obtidos, e os conflitos minimizados.​​