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 Editor de Conteúdo

Por Dr. Wanderley Marques Bernardo 

Eu acredito. Sabe por quê?
Porque quanto mais forte a evidência menor o grau de incerteza nos resultados de nossas decisões médicas. Força e certeza estão perfeitamente associadas. Isso porque quanto menor a incerteza nos resultados, m​aior a certeza de benefício aos pacientes. Benefício e menor risco de dano estão diretamente associados. 

Mas acho que nem todos acreditam. Sabe por quê?
Porque talvez não saibam ou não queiram saber o que é força da evidência. Os interesses pessoais têm superado os interesses dos pacientes. Porque acreditam no efeito placebo em que “se bem não faz, mal também não”. 

Para aqueles que não sabem, mas gostariam de saber...
A força da evidência é um conceito prático, simples, real, podendo ter vários componentes, que inicia com o tipo de desenho do estudo, passa pelos vieses, número de pacientes estudados, magnitude do efeito, precisão do efeito, presença de inconsistência, relevância, novidade e termina na aplicabilidade. 

Por que o início do processo de avaliação da força está no tipo de desenho de estudo que sustenta a evidência?
Porque opiniões e relatos de bons resultados são formas óbvias de expressão desprovidas de pensamento científico, que não traduzem a verdade, não medem o real efeito, são de elevada incerteza, não permitem sua reprodutibilidade, incorporam inúmeros conflitos pessoais e que sequer devem ser consideradas no processo de graduação da força devido à sua natureza fraca. ​

Qual é o elemento fundamental que deve estar presente para considerarmos avaliar a força de uma informação científica? Por que esse item é obrigatório?
O elemento é a comparação, impropriamente denominado de controle, que tem o atributo de expor a conduta proposta pela evidência comparando-a com as já existentes, ou não utilizando uma conduta placebo ou simulada. Comparar é definir se o efeito da conduta é real e, uma vez sendo, qual seu real tamanho e nível de incerteza. Não há como expor o paciente a um benefício imaginário ou a um risco incalculável, e o melhor meio para evitar isso é a comparação. 

As comparações podem ter forças diferentes?
Em estudos no qual o procedimento de nosso interesse é comparado a outro ou nenhum procedimento, ou ao placebo ou “sham”, pode ser realizado de maneira espontânea ou observacional, ou de maneira deliberada ou experimental. Obviamente a forma experimental contém um nível de força maior, pois permite previamente que as variáveis importantes sejam controladas em ambos grupos de comparação tornando-os mais semelhante possível. Diferentemente das comparações observacionais na qual isso é mais difícil. Como esse fator, outros elemenos podem estar presentes e são denominados de fatores de confusão ou vieses. 

Quais outros elementos de força da evidência devem ser considerados?
O tamanho das eventuais diferenças (efeito) entre as comparações (magnitude), bem como a variação possível desses resultados (precisão) também são componentes de força, pois quanto maior a magnitude e a precisão do efeito, maior o nível de certeza. Além disso, também há a inconsistência, medida de diferenças possíveis entre diferentes estudos quando se realiza uma revisão sistemática com meta-análise e a análise expressa o resultado agregado de vários estudos comparativos. 

A força da evidência tem componentes subjetivos além dos objetivos já citados?
Algumas características da força são mais subjetivas e dependem das prioridades e realidades locais, denominadas de relevância e aplicabilidade, pois devem ser analisadas de acordo com onde a evidência será utilizada.​

Depois deste artigo você acredita em força da evidência? Qual a importância nas suas decisões e as do sistema de saúde?
Primeiro será oferecido ao paciente propostas de diagnóstico, tratamento ou prevenção com probabilidade estimada de benefício e de dano, que poderão ser claramente compartilhadas, inclusive quanto ao seu grau de incerteza. Em segundo, o recurso e a estrutura necessários para garantir uma apropriada oferta de saúde serão sem desperdício, sem “overdiagnosis” ou “overtreatment”, com distribuição equânime, sustentável e com o necessário desinvestimento centrado nas reais necessidades das vidas que confiam em nós.