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 Editor de Conteúdo

Por Dr. Wanderley Marques Bernardo 

Year after Year, Month after Month, Day after Day, the Evidence goes down the Drain

Educação baseada em evidência, geração da evidência, avaliação crítica da evidência, implementação da evidência, uso pelos profissionais, uso nas políticas de saúde, influência social, equilíbrio de interesses e decisão compartilhada são os elementos principais da saúde baseada em evidência a serem considerados na prática [são também as linhas mestras do conteúdo do 1º CISBE (1º Congresso Internacional de Saúde Baseada em Evidência)¹]. 

Pré-conceito pode ser definido como “afirmar que algo não funciona, não traz benefício ou não produz dano sem nunca ter sido testado ou provado”. 

Por semelhante modo, os paradigmas em saúde podem ser firmados ou estabelecidos de duas maneiras principais: 1) tendo por base os pré-conceitos ou 2) através da presença ou ausência das anomalias identificadas ao longo de seu uso e teste. 

Obviamente a Saúde Baseada em Evidência no Brasil nunca teve sua chance de se defender ou de se firmar como um “paradigma” benéfico a todos os “stakeholders” envolvidos no processo de assistência à saúde. 

Contrariando o dito popular de que “a melhor defesa é o ataque”, penso que para se entender os motivos do pré-conceito, superando as causas do “paradigma” não se firmar, infelizmente “a melhor defesa é recuar e esperar”.

ESPERAR PELO QUE? 

1. Pela falência completa do processo de educação médica que investe na proliferação de faculdades e na nivelação rasteira do ensino, produzindo médicos despreparados para cuidar minimamente​de seus pacientes; 

2. Pela total improdutividade científica e o consumo massivo acrítico da informação internacional disponível, tornando prisioneiro e refém todo o sistema de saúde nacional, incluindo a academia; 

3. Pela implementação caótica de diversos protocolos de conduta por todo o país, diferentes entre si, que defendem interesses de grupos, que geram conflitos constantes, obrigando cada vez mais a arbitração jurídica do litígio; 

4. Pela tomada de decisão generalizada dos profissionais de saúde e pacientes baseada nas opiniões, nas conveniências, na lógica, no instinto, no reflexo, na personalidade, fazendo do relacionamento médico-paciente uma luta; 

5. Pela quebradeira financeira e estrutural dos sistemas de saúde éticos que nadam em mar repleto de “tubarões”, cujo único propósito é devorar o capital, esquecendo-se de retornar ao barco seguro da ciência centrada no paciente, esquecendo-se que é nossa tarefa defender a equidade e a democracia; 

6. Pela contaminação e influência na população brasileira de práticas e informações divulgadas na mídia, na internet, por formadores de opinião repletos de conflitos de interesse, levando ao “overdiagnosis” e ao “overtreatment”; 

7. Pela desistência daqueles que tentam inutilmente equilibrar interesses sem parâmetros sólidos, sem compreensão das motivações, sem entendimento do conceito de benefício e dano, tendo que confiar nas intenções nem sempre éticas e, principalmente, sem noção mínima de causalidade em saúde, desapropriando de maneira justa os responsáveis omissos pelo equilíbrio. 

​Sei que a conjunção “se” é fácil de ser usada quando não estamos na frente das decisões ou quando somos mais críticos do que executores, mas me arriscando a estar enganado: “se” ao invés de “recuar e esperar” pudéssemos “defender (MBE) atacando” poderíamos hoje mesmo começar um programa grandioso, corajoso e agressivo de educação e informação baseada em evidência de todos os profissionais de saúde e dos pacientes, envolvendo a mídia e os meios de comunicação, o que certamente interromperá o constante fluxo da evidência científica “cano abaixo”, salvando muitas vidas e recursos.