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 Editor de Conteúdo

Por Dr. Wanderley Marques Bernardo 

​Como aplicar a melhor evidência científica disponível, dia a dia, nos diversos setores do sistema de saúde? Quais barreiras devem ser conhecidas e superadas nesse processo? Qual o entendimento e conhecimento necessários para que a teoria seja traduzida para a prática? Quais passos a serem considerados para essa implementação ser realidade? Além da evidência, o que todos os envolvidos no cuidado em saúde, devem saber, minimamente, para que sejam colaboradores ativos?

O reconhecimento de 7 elementos nos permite pensar no processo de implementação da evidência: 

1. RECURSOS
Considerar os recursos estruturais e humanos (qualitativos e quantitativos) disponíveis do sistema público ou privado, que permitam a apropriada utilização da informação científica no cuidado aos pacientes. Sabidamente, o desempenho dos envolvidos no cuidado é fator determinante nos resultados (benefício e segurança) estimados. A estrutura do serviço deve ser conformada, tendo como imagem as evidências consideradas a serem implementadas. 

2. CONFIABILIDADE
A consistência (força) da evidência produzida, divulgada e disseminada, tem que produzir confiança nos grupos que executam o cuidado ao paciente. Devem acreditar e sentir segurança nas recomendações ou na síntese da evidência, para que possam utilizá-las em seus pacientes. Toda recomendação baseada em evidência desencadeará um processo de execução, o qual também precisa de confiança, para que haja aderência. 

3. CREDIBILIDADE
Supondo que a evidência científica faça parte do âmago das ações do cuidador, que os recursos estejam presentes, e que todo o grupo sinta confiança na tomada de decisão baseada em evidência, teremos um cenário interno, propício, mas não suficiente, para inspirar credibilidade ao meio externo (pacientes), no qual a satisfação baseada na qualidade do atendimento, e nos seus consequentes resultados, é o que importa. 

4. FORMAÇÃO
Deve ser entendida como a capacitação e habilidade para avaliar o que é adequado em cada situação específica, utilizando-se da experiência acumulada, ao se confrontar a prática com a evidência disponível. Além disso, quanto mais adequada (e próxima da ideal) for a formação dos profissionais envolvidos na assistência, maior a probabilidade de que os desfechos obtidos na pesquisa, e estimados em sua transposição para a prática, sejam reproduzidos. E sempre que se consegue fazer o que é para ser feito, do modo correto, e o tempo todo, colhe-se os benefícios, que vem para ficar. 

5. PACIENTE
Com seu entendimento, expectativas e visões, os pacientes são o centro do processo de aplicabilidade, e quando suas decisões são baseadas nas melhores evidências, a eles apresentadas em forma de decisão compartilhada, estes poderão estar seguros, o suficiente, para que não tenham arrependimento. Em situações em que a evidência é fraca ou ausente, o processo de tomada de decisão compartilhada faz parte do pensamento de MBE, à medida que as expectativas do paciente equilibradas com a experiência médica, definirão a conduta a ser seguida. 

6. CONHECIMENTO
Todos os participantes no processo de decisão (stakeholders) devem ter conhecimento dos conceitos básicos de MBE, não para serem geradores de evidência, mas para saberem interpretá-la. Saber considerar a força da evidência, em associação à recomendação, ao tamanho do benefício (redução do risco) e do dano (aumento do risco), e com a precisão do resultado, podem ser desafios para a compreensão médica, o que levará a dificuldades de comunicação ao paciente, e consequentemente a uma decisão baseada em fazer ou não fazer, em sim ou não, sem considerar o grau de incerteza envolvido. 

7. VALOR
Qual é o valor da saúde? Qual o valor da vida? Como considerar, socialmente, as expectativas do paciente individual? Qual o papel da medicina personalizada? O que é benefício? Quanto de dano devemos, ou podemos tolerar? O que é qualidade de vida? Estas e muitas outras questões são parte indissociável do processo de aplicação da evidência, e cercam a atividade de saúde em aspectos não isoladamente financeiros, mas sobretudo em sentido sócio cultural. Obrigam que, por meio da educação, todos adquiram consciência e percepção, de que compartilhamos do mesmo sistema e serviço de saúde, e que nossas ações sempre produzem impacto indireto, que podem dificultar a consolidação da equidade em saúde no País. 

E para refletir: 
Iniciar o processo de aplicabilidade com foco no paciente, para estabelecer parâmetros de valor. O paciente deve ser instigado a solicitar informações de boa qualidade e seguras para sua decisão; 
Ao médico deve-se oferecer valorização e incentivo para uma formação mais sólida no conhecimento básico e especializado, e de intensa interface com a ética. Agregando assim confiança e credibilidade em suas ações. Evitando o mau uso dos parcos recursos e a ganância; 
O primeiro passo é termos a evidência correta, que uma vez correta, deve ser para todos.​​