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 Editor de Conteúdo

Por Wanderley Marques Bernardo

Em março de 2020 publiquei editoriais que tratavam do controle cultural do vírus SARS-Cov2¹ e do Ipxe Dixit², antecipando todas as consequências e repercussões em decorrência desse controle. Este artigo tem como propósito analisar a inserção do médico, da ciência e do vírus (se pudéssemos ouvi-lo falar) no cenário atual da Covid-19 no Brasil e no mundo.

O médico
Refém de uma política de saúde insensível e ignorante, em sua atitude, esquece de seu risco pessoal e à sua família, e faz o que pode para reduzir o sofrimento e, se possível, salvar o paciente da morte.

Nos últimos 30 anos foi desrespeitado, humilhado e desvalorizado, mas agora recebe elogios e palmas como se disso dependesse para ser quem é, e já em sua juventude sofre os impactos emocionais desse trabalho solitário.

É ignorado em suas necessidades para o enfrentamento da doença. É pressionado no silêncio a fazer aquilo que sabe que não é indicado aos pacientes. E a ele é atribuída a responsabilidade de resolver os problemas criados pela incompetência do sistema.

Quando adoece sabendo dos riscos, sofre ainda mais como paciente. Quando não adoece em sua verdadeira coragem, sente os sintomas diariamente, e simplesmente quando sucumbe, faz parte de uma relação de heróis mortos.

Sofre sobremaneira com as mortes evitáveis de milhares de pacientes. Sofre com a falta de normalidade da atenção à saúde da população geral. Sofre os impactos econômicos que todos os trabalhadores têm sofrido.

Mas apesar disso... O médico
· teimosamente persiste;
· renova-se diariamente;
· abnega-se sem pensar;
· ensina e aprende;
· evita o desconhecimento;
· cresce e amadurece.

A ciência
Foi desconsiderada por quem só deveria respeitá-la. Foi substituída por medidas cujo propósito tem sido enganar.
Foi abandonada e, no lugar, foi ocupada pelos interesses. Foi e ainda é negada por meio de formadores de opinião.

Também cresceu nas mãos de homens e mulheres em seu esforço para ajudar a humanidade. Avançou e avança nos conhecimentos sobre imunidade inata e adquirida. Nunca mais será a mesma em perceber sua impotência.

Teve seu nome manchado por mentira e manipulação. Em nome dela foi justificativa para muitas atrocidades e mortes.
E continua sendo usada tecnicamente em estratégia de distração e caotização.

A evidência científica está disponível desde o início do ano, apontando direções. Avaliar criticamente a evidência é uma habilidade necessária, mas minimizada, e a ciência ausente engana, mas as mortes pelo engano intencional não se escondem.

Em momentos graves, como entender que os interesses econômicos ou políticos sobrepujem a ciência? Em momentos graves, como aceitar disputas vazias de proeminência científica? Em momentos graves, como compreender a disputa pela venda de sonhos “científicos"?

Mas apesar disso … A ciência
· teimosamente persiste;
· renova-se diariamente;
· abnega-se sem pensar;
· ensina e aprende;
· evita o desconhecimento;
· cresce e amadurece.

Vírus SARS-Cov-2
Imaginem se o vírus pudesse falar conosco, o que diria? Que não sente, não sofre, mas apenas cumpre a função para a qual foi programado. Que nunca desejou ficar entre nós tanto tempo, mas está sendo obrigado. E que sem corpos disponíveis, ele já teria ido embora, mas...

Mas ele compreende os motivos para ainda estar entre nós: muitos, para economizar, não investiram em métodos de localizá-lo e isolá-lo, e assim ficou livre para caminhar, indo de pessoa para pessoa silenciosamente.

Comodamente mantiveram modelo hospitalar, ao invés de antes mapeá-lo localmente, e em desperdício de esforço, pouca equidade deram à assistência aos pacientes. Não investiram na geração de evidência séria, o que era infelizmente esperado.

Não estimularam o direito de não adoecer e o dever de não transmitir da população. Focaram nos casos graves, esquecendo-se da maioria que produz os casos graves. Nunca admitiram as falhas, pré-requisito para reavaliar as atuais mesmas atitudes.

Ignoraram seu crescimento em “
clusters" familiares, colocando-os em contato. Isolaram pessoas em quem não estava, e não aqueles que já estavam com ele. Ignoraram sua presença e de forma arrogante falaram que já havia ido embora.

Negaram a observação dos que já haviam sofrido as consequências dos erros. Persistem nos erros ignorando que o aumento das mortes e casos é inevitável. Ficam passivamente, ou não, esperando por vacinas que talvez nem o incomodem.

E sendo assim, para os
· sem conhecimento;
· sem discernimento;
· insensíveis;
· irresponsáveis e
· negligentes, o vírus ainda está no controle, e ensinando o significado de progressão geométrica, e talvez de eternidade.

Em março de 2020¹:
"O tempo está passando e já passou, e com ele as consequências serão, ou já são, maiores ou menores na dependência das decisões tomadas, e estas são simples e já conhecidas, basta parar de investir em uma estratégia de negação, que só inspira pena de quem conhece ciência, e desespero em quem não conhece."

Em setembro de 2020²:
"Além de tudo, devemos assumir as consequências dos limites de nossa humanidade em um combate constante ao exercício de muitos de seu ipse dixit, pois frente à perseverante geração de evidência científica por poucos, só restará (ou não) no futuro para quem exerce o ipse dixi​tismo uma triste e inútil mea culpa por todas as consequências negativas produzidas aos pacientes".

Em 2021... uma tempestade perfeita criada pelas ações de crianças, brincando com ondas e mais ondas, ventos e mais ventos, que se sucedem em um cansativo e desorientado “abre e fecha semafórico”, culminando finalmente na esperança infantil depositada em mais uma nova intervenção imediatista, que dispensaria amadurecimento e humildade caso essa intervenção fosse infalível, o que não é o caso.

Referências
1. Ferreira LL, Chagas ACP, Bernardo WM. COVID-19: the virus in the control of
culture? Rev Assoc Med Bras (1992). 2020 Mar; 66(3):242-244. doi: 10.1590/1806-9282.66.3.242. PMID: 32520136.

2. Bernardo W. Ipse Dixit. Rev Assoc Med Bras (1992). 2020 Sep 21; 66Suppl 2(Suppl 2):1-2. doi: 10.1590/1806-9282.66. S 2.1. PMID: 32965343.