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 Editor de Conteúdo

Por Dr. Wanderley Marques Bernardo 

O resultado das atitudes tomadas dentro do sistema de saúde depende da qualidade do conhecimento que orienta cada uma dessas ações, e quanto mais conhecimento consistente, melhor esses resultados. 

​Pensando na segurança do paciente, quando o que se sabe é pouco ou nunca foi testado cientificamente, deve-se fazer pouco, com muita cautela e reserva, limitando-se a ações de mínima incerteza científica. 

Entretanto, apesar de muitos saberem pouco, fazem empiricamente muito, cedendo à pressão do fazer por fazer, independente “do que”. E até o erro e suas consequências serem evidentes, muitos anos se passam deixando para trás perdas irreversíveis. Então, outros assumem o timão, mantendo o ciclo de erros e horrores baseados vai saber no que. 

​O conhecimento científico disponível é superabundante e muitas vezes de alta qualidade, mas sabemos que a informação científica consistente pode levar até dez anos para ser implementada na prática. 

​Métodos de educação, de prevenção e de promoção em saúde estão absolutamente públicos e validados; procedimentos diagnósticos e terapêuticos têm sua aplicabilidade cientificamente condenada ou indicada; a causa das doenças nunca foi tão bem estabelecida; e fatores prognósticos são constantemente isolados, identificando claramente os subgrupos de pacientes melhor beneficiados pelas ações médicas. 

E não é uma questão de opinião, de interpretação ou de interesse, mas uma questão de ética, verdade e certezas que ao serem ignoradas e não consideradas, dificultam, impedem, cegam, lesam, danam e matam. 

A falência é atribuída a todos, menos à nossa incapacidade de admitirmos que estamos sistematicamente ignorando a maior benção de que dispomos: a ciência aplicada à prática médica, com suas estimativas de benefício e dano e seu nível próprio e compreensível de incertezas. 

Mas por que continuar escrevendo sobre a sabida distância entre ciência e prática? Porque há esperança de que as lideranças acreditem que, no meio de tanta dificuldade, é viável an​dar na direção do melhor e mais seguro para os pacientes. E acreditar significa agir com três atitudes fundamentais que produzirão efeitos concretos rápidos e duradouros: 

Manter contato permanente com as “vidas”, monitorando, educando e esclarecendo, independente da presença de conflitos; 
Dominar o conhecimento científico atualizado, por meio de grupos formados, capacitados e dedicados para esse propósito; 
​​​Disseminar e implementar, universalmente, as estratégias e recomendações, tendo como alvo os problemas prevalentes e prioritários. Se sabemos o que fazer, poderemos: fazer mais e melhor; plantar e colher; prever e predizer; projetar e planejar; medir e publicar; gastar e economizar; crescer e sustentar; dar segurança e receber crédito; conquistar aderência e aderir mais forte; reduzir eventos e aumentar a qualidade de vida dos pacientes, como também dos profissionais envolvidos na assistência, auditoria e gestão; poderemos, enfim, consolidar o papel de quem assumiu a responsabilidade do cuidado a milhares de “expectativas de vidas”. 
E novamente, se realmente sabemos o que fazer, fazemos o que se sabe, sem faltar nada, o tempo todo, para todos. Tudo o que se espera de um sistema de saúde baseado em evidências científicas.