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 Editor de Conteúdo

Por Dr. Wanderley Marques Bernardo 

O “sentido” da educação em Medicina Baseada em Evidência nos faz pensar em três significados: a razão de realizarmos uma ação; a direção das ações a serem executadas; e o método que utilizaremos para garantir o rumo escolhido. 

​Conspirando contra iniciativas educacionais, existe uma escola universal que promove a geração de conhecimento rápido, intangível e repleto de marketing. Abdica deliberadamente da condição de refletir e criticar, tornando-se escrava de seu escravo, e viciosamente: não consegue definir limites, padrões, estratégias e prioridades; não procura avaliar as consequências de suas ações, corrigindo desvios e atendendo às minorias; torna-se inflexível e cartesiana, escondendo-se na sombra da aparente economia de recursos, descentrada dos pacientes. O desconhecimento da prática clínica baseada em evidência é desesperador, agarra-se ao primeiro galho seco que aparece, na tentativa de não ser arrastado pela correnteza de informações e pressões, mas que ​​no fim induz ao desperdício de tempo, recursos e energia. Mas, a educação liberta e prepara o profissional de saúde a utilizar todos os elementos envolvidos na tomada de decisão frente ao seu paciente, como: habilidade, discernimento, humanidade, riscos individuais, desfechos relevantes, expectativas do paciente, gravidade, falta de alternativa, pouca alternativa, diferenças prognósticas, força da evidência, incerteza da evidência, tradução da pesquisa para a prática, disponibilidade tecnológica, custos, diferenças regionais, etc. Por que educar? Para evitar que qualquer um desses aspectos acima citados se imponha sem considerar os demais. Para evitar que pacientes sejam prejudicados ao não terem seus direitos e necessidades atendidos pela utilização arbitrária de receitas de bolo sabor evidência. Para evitar que, ao olharmos para trás, deixemos grupos sem massa crítica, incapazes de pensar e realizar por si sós. Para não condenarmos o futuro, ao insistirmos na imitação, impedindo o desenvolvimento e a criação. Para que a evidência científica possa, com discernimento, se entender com a experiência adquirida e com as expectativas do paciente. 

A educação baseada em evidência sempre será conduzida na direção do benefício e da​ segurança dos pacientes. Médico e paciente participam ativamente na definição de quais são os desfechos relevantes desejados. 

​E nesse sentido, todos os desfechos são considerados, como: morte, dor, inflamação, infecção, complicação, tempo de cirurgia, oclusão, qualidade de vida, tempo de hospitalização, perda de peso, retorno ao médico, recorrência, número de internações, consultas, etc. O norte do conhecimento a ser adquirido por todos deve ser guiado por uma decisão social, aberta e explícita. A evidência não define rumos, mas fornece o nível de incerteza que dispomos para caminhar nas direções que estabelecemos previamente. 

Por fim, para garantirmos o sentido correto de nossas ações, necessitamos de metodologia educacional que atenda a todos esses aspectos, em uma sequência progressiva e compreensível. O método é baseado na ampla compreensão do conceito da questão clínica e suas partes, como o detalhamento do paciente e da população de interesse, o tipo de intervenção ou indicador prognóstico a ser estudado, e sobretudo o desfecho que importa. A seleção crítica e racional da evidência será facilitada, não se limitando à análise da qualidade metodológica dos estudos recuperados (validade interna), mas procurando identificar as barreiras para a tradução da pesquisa à prática diária (validade externa). A metodologia educacional necessita, então, como pré-requisito, que os participantes conheçam medicina, conheçam o atendimento aos pacientes, conheçam os conflitos e os dilemas de relacionamento entre os vários “stakeholders”. Pois um grupo que vivência o dia a dia das dificuldades da atenção à saúde nunca lidará com a evidência de maneira cartesiana, tipo sim ou não, 8 ou 80, pois sempre compreenderá que a maior parte das decisões não é suportada por evidência forte, requerendo nosso esforço, discernimento e coragem. 

​O aprendizado baseado em evidência não se limita a uma economia de recursos baseada em “MatMed”, mas nos compele a demonstrar melhores resultados clínicos, medindo o impacto das ações implementadas nos indicadores de saúde. Se nos limitamos à análise de um “paper”, garantimos nossa distância do “front”, e portanto não vemos as consequências produzidas com o NÃO, ou mais raramente com o SIM. Se somos educados não nos comportamos assim, mas quando dizemos NÃO, estamos seguros que a nenhum paciente será negado o benefício, e quando dizemos SIM, estamos seguros, que independente dos custos, o benefício será garantido a todos os pacientes com indicação.