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 Editor de Conteúdo

Por Dr. Wanderley Marques Bernardo 

Todos têm direito a uma ou mais opiniões sobre um determinado assunto, e obviamente em medicina isso não é diferente. 

Filosoficamente falando, a palavra opinião origina-se no grego (doxa) cujo significado é: “a ideia confusa acerca da realidade e que se opõe ao conhecimento tido como verdadeiro”. 

Cientificamente falando, a opinião é o sinônimo potencializado de seu significado filosófico, pois após milhares de anos suas ideias confusas têm sido repetidas milhares de vezes na tentativa bem-sucedida de se tornarem verdade. E em medicina isso não é diferente. 

São muitos os motivos para a insistente sobrevivência da opinião ao longo dos séculos: 

  • No avançado da idade dissimula em impotência desatualizada, ignorante e sem pensamento científico; 
  • Por ser desprovida de comprovação científica é fácil e barata; 
  • Sendo acrítica vale-se do desconhecimento, do comodismo e do imediatismo dos povos e nações; 
  • Como cultura substitutiva do conhecimento passa a ser valorizada como moeda de troca e exercício de poder; 
  • As permutas então são alimentadas por políticas de acordos não técnicos e intoxicados por dinheiro; 
  • Mentindo procura arrastar consigo os conceitos reais da experiência adquirida, da autonomia e da ética; 
  • E valendo-se dessa horda unida em torno de seus variados interesses dedica-se à disseminação educativa dessas inverdades; 
  • Finalmente em um “loop infinito” mais do que sobreviver a opinião desqualifica o conhecimento científico como verdade necessária; 
  • Desqualificando a ciência como padrão, naturalmente reforça seu poder, simplificando o padrão para tudo em “nós estamos falando”; 
  • Em medicina isso não é diferente, mas as consequências são, pois, a opinião como padrão desprotege aos pacientes das inverdades. 

MAS, COMO O PENSAMENTO CIENTÍFICO (FONTE DO CONHECIMENTO) PROTEGE O PACIENTE EM RELAÇÃO ÀS DECISÕES QUE SERÃO TOMADAS SOBRE SUA VIDA E SAÚDE? 

  • Estabelecendo padrões que são independentes de opiniões; 
  • Embasando-se em modelos consistentes de pesquisa clínica; 
  • Refutando a extrapolação direta de pesquisa animal para humanos; 
  • Utilizando as comparações como parâmetro principal; 
  • Comparando condutas já em uso para identificar diferenças; 
  • Comparando condutas controle para identificar se há efeito (benefício e dano); 
  • E se há efeito, analisando qual o tamanho e a variação deste; 
  • Reduzindo o número de opções para as melhores aos pacientes; 
  • Preparando o caminho para novas comparações com inovações; 
  • Definindo os limites éticos entre pesquisa e incorporação no sistema; 
  • Definindo os papéis da indústria e do Estado nesses limites; 
  • Combatendo a pesquisa em humanos sem consentimento; 
  • Construindo a cultura de adoção apenas de evidências fortes; 
  • Contribuindo com a organização e equilíbrio do sistema de saúde;
  • Estimulando o estabelecimento da equidade entre público e privado; 
  • Disponibilizando o acesso a esses padrões pelos pacientes; 
  • Auxiliando os profissionais de saúde na tomada de decisão; 
  • Reduzindo o tempo gasto na discussão de obviedades inúteis; 
  • Reduzindo a nossa atenção a futilidades sem efeito; 
  • E ao expor o confuso que se opõe, separar o “joio” do “trigo”. 

Além disso, opinar como forma de estabelecer padrões de conduta expõe as instituições responsáveis pelo zelo e cuidado ético-científico ao sopro de ventos políticos, de poder e da corrupção, retirando de suas mãos a melhor oportunidade que têm de salvaguardar os direitos de uma adequada atenção aos pacientes, de influenciar positivamente e cientificamente os profissionais de saúde, e de participar ativamente na organização e estratégias do sistema. 

Após centenas de anos do esforço de homens e mulheres dedicados à consolidação e estabelecimento do atual pensamento científico e de força da evidência, não pode haver motivos para que a literatura opinativa [relatos, séries de casos ou revisões tradicionais (não sistemáticas) seja considerada minimamente como padrão para orientar qualquer tomada de decisão em saúde. Mas, se alguém pensa diferente e quer impor sua opinião em detrimento à ciência, como os gregos no passado bem sabiam, só pode estar confuso em relação à realidade, e como também sabemos, com “opinião” não se discute.​