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 Editor de Conteúdo

Por Dr. Wanderley Marques Bernardo 

Nada acontece se não houver prescrição, e tudo começa pela prescrição. 

​​Ela é a consolidação da visão, autonomia e liberdade do médico em seu relacionamento transparente, ético e centrado nos interesses do paciente. 

​Traduz em palavra escrita ou atitudes, o conhecimento acumulado tácito, o conhecimento disponível explícito e a expressão da expectativa do paciente. 

É a chance de proporcionar o maior benefício com o menor dano possível àqueles que estão fragilizados, expostos e sob um risco pessoal. 

Prescrever não é pesquisar, estudar ou arriscar. Não é um ato de esperança, mas um ato sólido e consistente oriundo da melhor ciência no tempo. 

​Portanto, deve ser baseada e sustentada por evidência científica atual, forte, na qual há o menor nível de incerteza e de risco nos efeitos estimados. 

​Então, sua manifestação prática é precedida do compartilhamento sincero e rico de informações, favorecendo decisão sem conflito ou arrependimento. 

Não atende a mitos, dogmas, egos, interesses econômicos, medos e pressões. É compreensiva, paciente, repleta de compaixão e respeito por todos. 

Conduz a uma prática homogênea, organiza o sistema, promove a equidade, combate a futilidade e, sem desperdício e com discernimento, é moderna. 

​​Obviamente a prescrição depende do prescritor, mas este ao longo de sua vida profissional pode ou não abrir mão do apropriado exercício desse ato, por: 

Delegar acriticamente a prescrição a publicadores e formadores de opinião, cujos interesses comerciais são imprevisíveis, mas declarados; 
Compartilhar a prescrição com interesses econômicos travestidos de inovação em saúde e, sem consentimento, fazer experimentos no paciente; 
Estar inserido em sistema de saúde insensível às necessidades básicas do prescritor, determinando a medicina do “​over” ou do “under”; 
Enfraquecimento pessoal do conhecimento, que pela pressão da prestação do serviço leva a prescrição ao automatismo e imediatismo; 
Pressão social sob influência de meios de comunicação inconsequentes, desprovidos de isenção e de crítica da informação; 
Falta de acesso à evidência que padroniza e educa, em um sistema de saúde que se recusa a ser progenitor e insiste em cercear a prescrição. 
Todos escolhem caminhos, sobretudo o paciente que está sob o risco, e na ausência de referência, a prescrição fica sujeita a todo tipo de dominação. 

Estejamos atentos para “quem” está realmente prescrevendo, antes que o direito e o dever, hoje intransferíveis, de prescrever do médico prescreva.​​​