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 Editor de Conteúdo

Por Dr. Wanderley Marques Bernardo 

PIOR DO QUE NÃO FAZER, É DIZER QUE FAZ, MAS NÃO FAZ. 

Difícil tarefa é escrever sobre uma doença não reconhecida, negligenciada, e até imperceptível. Funciona como um relato de caso isolado, uma experiência pessoal, quase uma denúncia. Mas, como esse mal tem produzido, e tende a produzir, crescentes, e devastadoras consequências, em nível social, econômico, e à saúde dos pacientes, sinto-me compelido a descrever os sinais e sintomas mais comuns, para que você possa reconhecê-la, colaborando com sua erradicação. 

Para entendermos o que é doença, pensemos nos sinais e sintomas de quem tem saúde baseada em evidência: equidade, boa prática sem futilidade, humanismo, olhar para o paciente, suficiência técnica sem exagero, discernimento, registro de dados, análise sistemática dos resultados, revisão das práticas, auditoria e supervisão constantes, treinamento em formação permanente, trabalho em equipe, custos acessíveis, e saber usar a evidência tácita. 

Os conceitos que definem uma prática baseada em evidências envolvem elementos, que extrapolam a facilidade de elaboração, e o consumo cego dos protocolos, das diretrizes, ou das evidências explícitas, pois dependem de uma relação entre o “Cuidado” e o “Cuidador”, na qual ambos podem estar doentes. 

​Quando olhamos de longe a um cenário de assistência à saúde, em um importante centro, podemos rapidamente perceber que, em um ambiente onde há desconhecimento do que é realmente MBE, é compreensível que esta seja considerada como sinônimo de boas práticas apenas, o que determina uma falsa sensação de saúde ao doente, que se acomoda, principalmente na abundância de seus infinitos recursos (1º sintoma). 

​Como o nome MBE se firmou como uma marca de acreditação, é natural que as instituições tenham essa bandeira hasteada, na entrada de seus edifícios, sem sequer saberem a letra de seu hino (2º sintoma). 

​Há instituições que ensinam, em seus cursos de atualização baseados em evidência, práticas que não são utilizadas em sua assistência, ​principalmente quando envolvem o uso de inovações (3º sintoma). 

​Disponibilizar conteúdo, informado como baseado em evidência, em seu endereço eletrônico, não transforma a falta de assistência, não anula a inequidade, mas procura esconder a dificuldade das mentes gestoras, em compreender o impacto da MBE nas vidas de seus pacientes (4º sintoma). 

​Escrever livros baseados em evidência pode garantir aos pacientes, que serão atendidos segundo o conteúdo, mas como MBE não é receita, lidar com mentes que só sabem obedecer, produzirá dano a muitos (5º sintoma). 

​​Era de se esperar que onde há recursos (humanos e materiais), haveria terreno favorável à prática baseada em evidência, mas a exemplo de muitas revistas científicas importantes, os conflitos de interesse tornam a prática em teoria (6º sintoma). 

​A hipertrofia técnica, seguida da atrofia do humanismo, inviabilizam a prática reflexiva, e a utilização da evidência tácita, mas garantem a sustentabilidade fria de um Sistema baseado no modelo econômico (7º sintoma). 

​Muitos não entendem porquê, na presença de informação baseada em evidência, essa informação não vai para a prática. Se não entendem é porque estão doentes, e não sabem. A prática não muda sem tratamento de todos. A começar do “Cuidador”. Teoria baseada em evidência no Sistema de Saúde público e privado, nos hospitais e nos consultórios, o marketing de uma triste, e enganosa, realidade assistencial. 

A cura da doença: admissão do paciente de sua condição; educação na prática baseada em evidência (não em revisão sistemática); investimento em registro e análise de resultados, com revisão das práticas à luz das evidências tácita e explícita; formação de equipes reflexivas, que utilizem a linguagem centrada no paciente; utilização dos recursos em ações efetivas, sem desperdício; combate ao marketing; ouvir aos pacientes, aprendendo, ensinando e modulando a prática, segundo suas expectativas. 

O prognóstico de um paciente tratado com o suporte da MBE pode esperar o melhor, mesmo sem muito recurso, mesmo sem maquiagem, mesmo sem propaganda, mesmo sem muitos títulos, mesmo sem muita inovação, mesmo sem experiências bem sucedidas, mesmo sem a empáfia de quem fala e ensina, o que não faz.