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 Editor de Conteúdo

Por Dr. Wanderley Marques Bernardo 

O atendimento em torno da condição médica do paciente tem sido considerado sinônimo de cuidado por especialista, e devido às múltiplas possibilidades de conduta, variando a quem o paciente procura, o sistema de saúde tem procurado soluções para controlar esse fluxo, como o combate à fraude; os incentivos aos pacientes; modelos de ambientes de cuidados primários; e sistemas de triagem. 

Mas, a medicina centrada no paciente está alinhada ao princípio de qualquer organização (incluindo os sistemas de saúde): “se organizar em torno das necessidades do paciente”, e dentro desse conceito, a condição médica é o indicador que define a necessidade, e portanto carece de uma equipe que domine o conhecimento e o fluxo da atenção a cada condição. 

O melhor resultado final depende da satisfação global da necessidade, a qual será atingida por meio do ciclo completo de atendimento à condição individual do paciente, que por sua vez será obtido por uma equipe não fragmentada pelo espaço, tempo, objetivos ou interesses. 

A prática integrada é executada por profissionais (médicos e não médicos), que trabalham juntos, com objetivos comuns e coordenados, não restritos apenas ao diagnóstico e tratamento da doença, mas também abordando as complicações e comorbi​dades associadas; envolvendo e educando os pacientes e familiares, na promoção e prevenção da saúde; minimizando o tempo, e reduzindo o desperdício de recursos; discutindo e revendo, sistematicamente, os dados do desempenho da equipe, para instituir mudanças que melhorem os resultados; e compartilhando, periodicamente, a experiência obtida, com o sistema de saúde mantenedor. 

A descrição desse modelo holístico, aparentemente assemelha-se, conceitualmente, ao de cuidado primário ou básico em saúde. Entretanto, se refletirmos, a atenção primária tem uma estrutura suportada por uma equipe comum, que tem o papel de atender a uma enorme variedade de situações clínicas, que vão desde pacientes saudáveis a casos complexos, determinando elevada heterogeneidade, que impede fazer qualquer medida. 

Na atenção primária, a prática integrada é executada por equipes multidisciplinares organizadas, e especializadas, para servir aos grupos de pacientes com cuidados primários e preventivos semelhantes. Diferentes grupos de pacientes requerem diferentes equipes, diferentes tipos de serviços, e até mesmo diferentes locais de atendimento, permitindo a mensuração de resultados e custo, específicos, para cada grupo. 

Mas esses resultados só poderão ser alcançados por meio de uma reestruturação da visão da oferta do cuidado, centrada no valor para o paciente. A simples alocação de equipes multidisciplinares no mesmo edifício, ou a criação de centros de referência, ou de excelência, produzirá pouco impacto, pois não haverá entendimento do ciclo completo de atenção. 

A adoção da prática integrada deve fazer parte da agenda do sistema de saúde, que deseja centrar seus esforços na medicina centrada no paciente, e que pode ser baseada na seguinte proposta de reestruturação: 

Organizar a oferta de atenção em torno de uma condição médica ou um conjunto de condições estreitamente relacionadas (ou ao redor de segmentos específicos de pacientes, dentro da atenção básica); 
Constituir equipes médicas, e não médicas, multidisciplinares, com dedicação de tempo para as condições individualizadas; 
Fortalecer a ideia de rede de atendimento, em que o provedor faz parte de uma unidade organizacional comum; 
Disseminar, na prática, o conceito de ciclo completo de atendimento, que inclui o ambulatorial, a internação, a reabilitação, os serviços de apoio, a educação, o engajamento e o seguimento; 
Criar unidades de prática integrada, com estrutura administrativa e de programação únicas, e instalações específicas e acessíveis; 
Associar a auditoria centrada na supervisão do processo de atendimento de cada paciente; 
​Aprender a registrar, medir e analisar, através de tecnologia de informação, os resultados e custos individuais, por condição clínica, podendo identificar anomalias e corrigir rumos. 
Em um cenário atual de inovação médica, o modelo assistencial não deve negá-la, mas integrá-la, com foco na real necessidade do indivíduo.